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Penetramos na primeira casa do rio especializada na realização de feitiches – A Revista Globo (25 de abril de 2010)

Lá só não rola sexo!
Ilha da fantasia
Penetramos na primeira casa do Rio especializada na realização de fetiches.
Por Marcella Sobral (Revusta Globo – 25 de abril de 2010)
É um motel? É uma casa de suingue? É uma termas? Nada disso.
A FetiXe Fun House, na Tijuca, é a primeira casa para a prática de fetiches a abrir as portas no Rio — mas o sexo propriamente dito está fora dessa. Como nos chamados dungeons, ou calabouços, de cidades como Nova York e Berlim, é um lugar para quem curte as fantasias associadas a bandagem (bondage), disciplina, sadismo e masoquismo (BDSM). Embora os mais pudicos custem a acreditar que lá pode rolar (quase) tudo, menos sexo, é o que acontece mesmo. Para se ter uma ideia, no insuspeito sobrado, nem cama há.

— É um lugar para quem quer realizar os seus fetiches com estrutura e segurança. Se o sexo for acontecer, vai ser antes ou depois daqui — diz a dona do lugar, codinome Mrs. Nefer, uma das pioneiras em eventos fetichistas na cidade e há sete anos à frente da festa Fetixe, realizada num clube no Centro. — Nós seguimos a máxima de sigilo absoluto, respeito, segurança e consenso em busca do prazer BDSM.
O lugar, portanto, funciona como uma Disneylândia da fantasia, cheio de acessórios e equipamentos, alguns quase performáticos. Como é praxe nas casas de fetiche de respeito, lá não se bebe — aliás, nem bar tem. Quem ainda não se convenceu de que o lugar, realmente, não está aí para sacanagem, basta dar uma olhada no horário de funcionamento: de segunda-feira a sexta-feira, das 10h às 20h, e aos sábados, entre 13h e 18h. Ah, e não adianta ir até lá e bater… na porta. É preciso marcar hora para usar o espaço.

— O horário mais procurado é mesmo o do almoço.
É o horário que os adeptos dessas práticas têm para dar uma escapadinha sem levantar suspeitas — conta Mrs. Nefer, que já recebeu mais estrangeiros do que brasileiros na casa. — Já tivemos canadenses, venezuelanos, israelenses.
Eles chegam a nós através do site (www.fetixe.com).
A tarifa mínima cobrada é de R$ 300 por uma hora e meia de uso, com todos os
acessórios, figurinos e apetrechos incluídos. O preço dá direito ainda à utilização de uma cruz de Santo André, onde a pessoa pode ser algemada, um lugar para bandagem (prática de imobilização com cordas, para quem não sabe) e um espaço para brincar de médico, literalmente, com direito até a maca.
Para os mais indisciplinados, há períodos de semi-internato, com seis horas de duração, ou de internato, com 12 horas.

— Já tivemos um rapaz que passou oito horas trancado na jaula — conta Mrs. Nefer. — Há homens que têm fetiche em ser empregadas domésticas. Então, eles vêm para cá e limpam a casa inteira, inclusive os banheiros.
O espaço serve também para outras práticas de dominação, como o spank (algo como um tapinha que dói, mas tudo bem), podolatria e mobiliário humano. Sim, tem gente que curte servir de mesa, cadeira ou mesmo cinzeiro.

— Eu gosto de imobilizar a minha namorada com cordas e ficar sentado nela, enquanto jogo videogame — assume um dos frequentadores, que prefere não se identificar.
Mas quando as mulheres estão no poder, a coisa muda de figura.

— As fantasias mais comuns são as de humilhação física ou verbal — entrega a dominatrix Lilith, que já usou o espaço.
Em breve, a casa terá um outro ambiente especial para eles. Quer dizer, para eles que querem experimentar como é ser ela. Será uma área para treinamento de Sissi (de Sissi, a imperatriz, mesmo), uma espécie de Socila fetichista, que transforma até o maior bofão numa boneca.
Prevista para entrar em funcionamento em dois meses, terá penteadeira, maquiagem, unhas postiças e aulas de postura com um transformista. Para ninguém cair do salto e, claro, ficar de castigo.

IMAGENS:

    
  
       

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