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Filme sobre viciado em sexo consegue bons lucros no cinema

Michael Fassbender interpreta Brandon Sullivan, sujeito viciado em sexo, em filme de Steve McQueen

Um homem na faixa dos 30 e poucos anos, bonito, bem-sucedido, vivendo em um confortável apartamento em Nova York. A suposta normalidade esconde a realidade de Brandon Sullivan, sujeito viciado em sexo interpretado por Michael Fassbender em Shame – o Filme, em cartaz desde sexta-feira (16) no Brasil. Dirigido por Steve McQueen, o longa britânico tinha tudo para ser um fracasso nas bilheterias do mundo, dada sua temática controversa, que, como consequência, limitou sua audiência a ser formada apenas por adultos. No entanto, a produção tem surpreendido com bons lucros.

Não que ela tenha qualquer chance de competir em bilheteria com blockbusters de centenas de milhões de dólares de arrecadação, mas, com investimentos modestos, de aproximadamente US$ 7 mi, aliado às críticas extremamente positivas que tem recebido desde seu lançamento nos EUA, em dezembro de 2011, o longa tem se mostrado uma escolha acertada. De lá para cá, tendo suas cópias exportadas aos poucos para outros países, ele arrecadou mais de US$ 15 milhões.

Chegar a esses números não foi fruto do acaso. Logo que estreou nos cinemas norte-americanos, Shame surpreendeu os especialistas dos principais jornais do país, recebendo críticas com adjetivos como “corajoso”, “verdadeiro” e “cativante”. Quatro e cinco estrelas, notas máximas em diversos desses veículos, foram comuns à produção.

No entanto, antes mesmo das críticas especializadas, o longa já ganhava admiradores no meio do cinema. No segundo semestre de 2011, quando teve sua pré-estreia exibida nos principais festivais europeus, Shame conquistou prêmios de extrema importância. O germano-irlandês Michael Fassbender, 34 anos, conhecido por suas atuações em X-Men: Primeira Classe e Bastardos Inglórios, foi premiado como melhor ator em festivais de filmes como o de Veneza, Sevilha e Kermode. Sua atuação também lhe rendeu honrarias de associações de críticos de longas do mundo inteiro, entre elas a de Los Angeles, Detroit, Vancouver e Londres. A atriz Carey Mulligan e o diretor Steve McQueen também conquistaram importantes prêmios nos últimos meses pelo trabalho.

Apesar do tema polêmico – e geralmente pouco retratado nas telas -, a história do filme não é tão controversa quanto parece. Ela se apoia no cotidiano de Brandon, uma espécie de Charlie Harper (o personagem de Charlie Sheen em Two and a Half Men) em versão nova-iorquina. Bem-sucedido, ele aborda mulheres nas mais variadas localidades: trabalho, rua, metrô. A falta de escrúpulos em suas tentativas de seduzir, que incluem perseguir as garotas por quem se interessa, acaba gerando também resultados inesperados, como o envolvimento em brigas com namorados ciumentos.

Toda a aparente tranquilidade da vida dupla do protagonista se transforma quando sua irmã, Sissy Sullivan, interpretada por Carey Mulligan, se muda temporariamente para a sua casa. Aos poucos, a compulsão de Brandon vai sendo descoberta pela garota que, ao contrário dele, vê o problema como um vício e tenta ajudá-lo.

O excesso de nudez e a temática levaram diversos cinemas norte-americanos a vetarem a exibição do filme, com estreia limitada a salas mais alternativas do país. Em São Paulo, 12 cinemas abriram espaço para Shame em sua estreia, na última sexta-feira (16) – grande parte deles mais voltadas a filmes de arte e com exibições em horários bastante limitados.


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