O Especialista na Arte de Amar



A Diferença Entre a Mulher Vulgar e a Mulher de Atitude

Uma revista pornô qualquer em que a foto que estampa o miolo é de uma buceta muito bem posicionada, acompanhada daquele piercing no umbigo e de uma marquinha de biquíni, versus outra publicação onde há a mesma genitália feminina estampada, mas dessa vez com um olhar observador do fotógrafo que buscou a inspiracão na arte de estar nú. Nesse caso, a vagina está lá de boa, sem demonstrar estar incansavelmente provocando uma ereção – ela está apenas sendo uma buceta. Se nesses dois casos é tão fácil identificar o que é arte (para ser contemplado) e o que é vulgar (para bater punheta), por que quando tentamos estabelecer a linha tênue entre a mulher vulgar e a mulher de atitude essa divisão parece não ser tão simples?

Quando eu penso em uma mulher vulgar, me vem à cabeça a imagem da secretária de um dentista meu. Apesar de o cargo requerer certa postura, a moça em questão ia trabalhar com roupas curtas, justas e decotadas, que revelavam mais do que deveriam. Não quero dizer que vulgaridade restringe-se apenas à roupa que você veste. É claro que vai além, mas também depende do bom senso do ambiente que você escolhe pare exibir determinadas roupas e – principalmente – de como você as veste. Dá para usar roupas decotadas e justas sem ser vulgar, basta saber usar. Porque o vulgar primeiramente esconde-se em peças de roupas, mas na verdade está em atitudes. O caso contrário também é válido: uma mulher pode se vestir como uma santa, mas seu modo de agir a condenar.

Há ainda muita gente que confunde ter a atitude de demonstrar interesse para aquele cara que chamou sua atenção com parecer vulgar. Uma coisa é ter atitude, outra é extrapolar esse limite e se tornar vulgar. A mulher de atitude chega no cara e conversa com ele para mostrar o que ela tem: papo, charme, inteligência, autenticidade. Para ela as coisas são simples já que ela sabe o que quer e não se importa com a opinião alheia. A mulher vulgar se comunica com os homens através da bunda. Usa o corpo para se exibir e seduzir, mas fica só nisso, porque ela só tem o corpo e a vulgaridade para oferecer. Ser vulgar é aceitar ser tratada como apenas um pedaço de carne.

Um dos principais culpados por essa confusão entre atitude/vulgaridade é o machismo que ainda está impregnado em nossa sociedade. Porque os homens cobram atitude, mas mulheres que tomam essa atitude muitas vezes ainda são chamadas de vadias e são apedrejadas. Por mais que a mulher tenha conquistado sua liberdade, ainda há homens (e espantem-se: mulheres também) muito machistas. Não é raro para as mulheres que vão atrás do que quer, que ligam no dia seguinte, chamam o cara para sair, se abrem, serem taxadas de atiradas, neuróticas, perseguidoras. Parece até que os próprios homens não querem que sejamos sinceras (atiradas? vulgares?), querem que “façamos a difícil” continuemos fazendo os joguinhos estúpidos que não levam a nada.

Acredito que isso tem muito a ver com o homem, no geral, adorar um desafio. Querer sempre uma conquista, mais um trofelzinho na sua coleção. Em troca disso ele acaba dispensando várias mulheres interessantes porque elas têm iniciativa e são estigmatizadas como as tais vulgares. Azar o deles. Melhor pensar que não perdi meu tempo com um cara que não me valoriza, que vive preso nessa mentalidade moralista, que deve ter como meta encontrar a Amélia para o seu lar. Melhor fugir do machismo velado e passar a pensar mais em mim.


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