O Especialista na Arte de Amar



Só Sinto Prazer Com Dor? Sou Normal?

Esse é um espaço para tirar todas aquelas dúvidas sobre sexo que você sempre quis saber, mas não tinha pra quem perguntar. Mande sua perguntaparaoisemvergonha@gmail.com com o assunto Tira Dúvidas.

Casal,

Desde pequena, só me masturbo pensando em cenas de submissão, na qual sinto dor, sou amarrada, mordida e até estuprada. Hoje, a coisa que mais de dá prazer no sexo é quando sou submetida a algum tipo de dor (claro que nada de espancamentos) ou também quando rola um jogo de submissão, na qual sou humilhada. Gostaria de saber se isso é normal ou se eu deveria tentar sentir prazer de outras formas.

Leitora Anônima

Querida leitora anônima,

Essa sua tara é mais comum do que você pode imaginar. Um dos fetiches mais adotados por casais se trata exatamente dos jogos de submissão e dominação, em diversos níveis. Tem desde os mais leves, como puxões de cabelo, uns xingamentozinhos, uns tapinhas, até os mais hardcore, como pessoas que levam o jogo a sério e só sentem prazer se forem transformadas em escravas, fazendo todo tipo de loucura pra realizar essa vontade.

O fato é que há uma linha tênue entre dor e prazer. Se as expressões de alguém com tesão e prestes a gozar fossem registradas em fotos, seria difícil diferenciá-las das expressões de alguém sentindo dor. No entanto, é complicado aceitar esse fato – principalmente, porque o nosso lado racional insiste em afirmar que sentir prazer em sentir dor só pode ser uma perversão, uma coisa de gente “doente” ou tarada.

No entanto, se pararmos pra pensar, o fator dor é muito presente na nossa cultura, de uma forma disfarçadamente aceitável. Um exemplo disso é o salto alto – uma peça de vestimenta feminina totalmente desconfortável, que deforma os pés das mulheres, que torna qualquer caminhada muito mais difícil, que tira a nossa agilidade natural e que, mesmo assim, muitas mulheres são quase obrigadas à usá-los, devido a uma imposição social. E, em muitos casos, o sofrimento é visto também como um valor agregado à algo que se quer alcançar, como no caso dos regimes,  jejuns religiosos, tatuagem. Quem nunca ouviu o famoso, “pra ficar bonita tem que sofrer.”

É bom lembrar que quando falamos da inserção da dor no sexo, estamos nos referindo a um contexto. Ninguém é maluco de gostar de sentir dor do nada – se fosse assim, os sádicos teriam orgasmos múltiplos se cortando sozinhos. Por isso, o que notamos é uma grande quantidade de pessoas que tem uma capacidade de erotizar a dor, fazendo com que ela se transforme em um agente potencializador do prazer. Há um botãozinho desses transformadores presente em todos os que gostam de uns arranhões e umas puxadas de cabelo durante o sexo.

Agora, cabe a cada um determinar os seus limites e não deixar que esse fetiche seja levado a extremos que possam prejudicar – física ou psicologicamente – algum dos envolvidos. Se os dois estiverem sentindo prazer, ótimo. As fantasias são muito melhores vividas dos que explicadas. Cada um tem a sua – você pode chamar de louco aquele que sente tesão com coisas que não são racionalmente normais, mas com certeza você também têm um pouco de bizarrice escondida. Saber desenvolver suas fantasias de uma forma saudável é uma das formas mais eficientes de evoluir o prazer no sexo. Ter alguém em quem confia  que tope realizar suas fantasias mais proibidas pode ser sua chance de experimentar um prazer que você nem imaginava que existia. Mas, claro – esse prazer é privilégio exclusivo dos que têm coragem de perder a razão de vez em quando.

Boa sorte!


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